Com o Kung Fu Shaolin firmemente plantado
no solo da China, a arte diversificou-se em milhares de estilos
familiares distintos.
Durante a dinastia Sung (960-1279 d.C.), houve um grande
aparecimento da sociedade de Kung Fu, nem todas promovendo boas
ações. Sociedades tais como os Dragões Negros
ou as Tríades eram muito fechadas - quase como
famílias. Seus objetivos iniciais não são
claros, mas com o poder vem a corrupção, e muitas
sociedades de Kung Fu voltaram-se para o crime. Não era raro
encontrar um mestre de Kung Fu de uma determinada escola (kwoon) ou
província vagando de vilarejo em vilarejo, testando sua
habilidade. Muitas vezes havia duelos até a morte.
Além de lutas mortais, havia muitas
demonstrações públicas para atrair novos
praticantes. De acordo com a crônica da capital de Kaifeng,
estes "shows de rua" eram muito populares.
Na dinastia Ming (1368-1644 d.C.), o Kung Fu era conhecido historicamente como chi yung e a arte floresceu, especialmente no Sul da China. Os estilos de Shaolin do Sul concentravam-se no templo Shaolin, na província Fukien. Wang Lang da província de Shang-tung criou o famoso estilo Louva-a-Deus (Tang Lang), baseado nos movimentos do inseto de mesmo nome.
Os estilos da garça branca (pao-hoc) e do macaco (tsitsing pi qua) surgiram também. Talvez, o maior evento internacional durante este período tenha sido a introdução do Kung Fu no Japão. Ch'en Yuan-ping viajou ao Japão e introduziu o ch'in-na, uma forma de manipulação das juntas que acrescentou muito ao Jujutsu japonês. A maior documentação histórica desta era ocorreu quando Qi Jiguang, um conhecido general, compilou um livro tratando de 16 diferentes estilos de exercícios com as mãos desarmadas e umas 40 técnicas com lança e bastões de três partes. Ele criou também uma série completa de teorias e métodos de treinamento, dando assim grandes contribuições ao Kung Fu.
Quando os Manchus derrubaram a
dinastia Ming em 1644, eles estabeleceram a dinastia Ch'ing, que
caiu em 1911. O Kung Fu era chamado de pai ta, e 18 sistemas de
armas para combate foram praticados. Sociedades secretas
floresceram, especialmente a Sociedade da Lótus Branca, que
era enfatizada no taoísmo. As sociedades da dinastia Ch'ing
eram organizações que desejavam derrubar os Manchus
ou afastar as influências européias ocidentasis de seu
país.
Muitas sociedades ensinavam a seus membros que suas técnicas de Kung Fu os tornariam invencíveis, mesmo para balas de armas de fogo. Isto provocou a Rebelião dos Boxers (chamados "boxers" pelos estrangeiros, porque os chineses enfrantavam as balas desarmados). Naturalmente, mãos desarmadas não enfrentam balas, e a rebelião foi esmagada. Isto trouxe desrespeito para a validade do Kung Fu. Durante esta era, os métodos de Kung Fu interior (nei-chia) começaram a se tornar populares.
A era comunista foi introduzida depois da
queda dos Manchus. O Kung Fu agora passava a chamar-se wushu ou kuo
shu. Poderosos chefes guerreiros, como Feng Yu-hsiang, treinavam
seus soldados com Kung Fu, desenvolvendo muito respeito à
arte.
Em 1949, a República Popular da China foi fundada, e muito
tem sido feito desde então para promover o Kung Fu. Velhos
métodos de luta voltaram a ser usados, e novos foram
criados. Grupos de mestres foram formados para combinar e
restabelecer vários métodos antigos, e o Wushu
nasceu.
Só no final da década de 1960 que o Kung Fu
começou a ser ensinado para os ocidentais, e arte se torna
cada vez mais popular em todo o mundo.
Nota: O registro histórico chinês menciona, pela primeira vez, o Kung Fu no ano de 2674 a.C., ou seja, 4.676 anos já se passaram desde esse registro até o ano de 2002.
Fonte: Livro Segredos do Kung Fu